segunda-feira, 29 de julho de 2013

30 anos da primeira Libertadores do Grêmio




Muito antes do "Eu Acredito" da torcida do Atlético Mineiro que comemorou na semana passada a tão desejada conquista da Libertadores, coisa que seu arquirrival, Cruzeiro, já havia feito duas vezes, ontem, há exatos 30 anos, uma outra torcida, esta tricolor, acreditava que o seu clube conquistaria a Taça Libertadores da América. A torcida gremista, acreditava que o Grêmio se tornaria campeão da Libertadores daquele ano.

Ontem, antes do jogo Grêmio X Fluminense, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre/RS, pelo Brasileirão 2013,houve festa no estádio com a presença de alguns heróis do título de 1983 como o próprio Renato Portaluppi (hoje  técnico do Grêmio), Tarciso, Baideck entre outros como mostra a foto acima.

Em termos de conquistas, o Grêmio ainda vivia à sombra do rival Internacional que até aquele momento, tinha três campeonatos brasileiros no currículo (um deles invicto) graças ao timaço de Falcão e sua turma nos anos 1970. O Grêmio começava a despontar nacionalmente com a conquista do seu primeiro Brasileirão em 1981, e podia finalmente ter uma "estrela no peito". É bem verdade que o Inter tinha três.

Mas aí meu camarada, o Grêmio começou a pavimentar a sua conquista da Libertadores de 1983 ao ser vice-campeão brasileiro em 1982, ao perder o título para o Flamengo de Zico & CIA, time da grande maioria dos brasileiros e da Rede Globo. Eu, ainda um mero moleque, começava finalmente a ter o meu clube do coração, coisa que se iniciou no ano anterior ao conquistar o Brasileirão derrotando o São Paulo. O Grêmio perdeu o Brasileirão de 1982, mas carimbava o seu passaporte para a Libertadores do ano seguinte, onde faria história.

Vi alguns jogos da Libertadores na TV, numa época em que não havia TV a cabo e só dois clubes brasileiros iam pra Libertadores. Só a Globo transmitiu o campeonato e assim mesmo, a maioria foram os jogos do Flamengo. Mas não teve nada não. A coisa começou a engrenar depois que o Grêmio meteu 3 a 1 no Flamengo em pleno Maracanã, no Rio de Janeiro, no jogo da volta, no fim da 1ª fase. Foi ali que eu acreditei que o Grêmio poderia sim conquistar a Libertadores.

O Grêmio foi em frente, pegou pedreiras como o Estudiantes, da Argentina. Em La Plata, o Grêmio deu um vacilo (isso já acontecia naquela época) quando ganhava de 3 a 0 e deixou os argentinos empatarem. Mesmo assim, o Grêmio seguiu em frente e chegou à finalíssima.

A grande pedreira mesmo foi o finalista que o Grêmio iria pegar: o Peñarol. Lembro muito bem daquele time uruguaio, um timaço, aguerrido, valente e que jogava muito bem. Tinha a sua grande estrela, o Fernando Morena, “cracaço” de bola. Mas a gente tinha Renato Portaluppi, o camisa 7 goleador e que entraria naquele ano, no hall dos grandes ídolos da história do Grêmio.


Depois de um empate conquistado na unha, em Montevidéu, no Uruguai, a decisão final ficou para o Olímpico, em Porto Alegre. O jogo foi pegado, violento , até porque o Peñarol era a encarnação do futebol raçudo daquela região do Prata, e o Grêmio, era encarnação da futebol raçudo do sul brasileiro, o mais parecido com o dos argentinos e uruguaios aqui no Brasil.  Caio e César marcaram para o Grêmio, Morena marcou para o Peñarol. Naquele dia 28 de julho de 1983, o Grêmio levantou a taça e cravou no peito uma estrela que o Inter havia tentado e não conseguiu. O Grêmio repetiria a dose ao conquistar o bicampeonato em 1995, sob o comando do técnico Luiz Felipe Scolari, o "Felipão". 

Pra quem até 1980, só conquistava campeonatos estaduais, conquistar o Brasil (1981) e a América (1983) em pouco espaço de tempo foi um salto qualitativo impressionante, não? Mas salto maior ele daria no final daquele mesmo ano, mas essa já é uma outra história.


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