quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Charges da série "Maus hábitos do baiano" (2006) - parte X: ouvir música no último volume


Um mau hábito que ganhou dimensões nacionais. Não há nada mais cafona do que o sujeito que ocupa a mala do carro com auto-falantes com equipamento de som de última geração pra tocar breguice. Bom, se esse costume é cafona, o som logicamente tem que ser cafona. Ao menos há coerência. Confira o texto original.

"Este é um dos maus hábitos 'clássicos' de alguns baianos: ouvir som alto. Pode-se ouvir som alto em diversos lugares: nos carros, nos bares, nas residências e até mesmo nos camelôs instalados nos pontos de ônibus com suas banquinhas de cd´s piratas; é uma verdadeira 'zona'.
Pior do que isso, só o repertório, que é terrivelmente de gosto pra lá de duvidoso, baseado na "santíssima trindade da tranqueira musical" baiana: axé-music, pagode e arrocha.
Tem sujeitos que torram uma grana violenta em equipamentos de som no carro, em alguns casos, quase que o valor do próprio veículo. O 'cidadão' então sai com a maior cara de 'retadão' no seu carrão, liga o som no máximo, pra tocar as "pérolas" da música baiana. E tome arrocha, pagode e axé. Se encontra com a galera nos postos de gasolina pra fazer aquela zoada, tomando todas. 'Ué, bebida nos postos?! Os postos contribuem com a combinação de álcool e gasolina?'. Ora, sorria, você está na Bahia!!
Tem também aquele povo que gosta de 'compartilhar' o seu 'gosto' musical om a comunidade. O cara pega a caixa de som, põe na janela, liga o aparelho, põe aquele cd pirataço do Silvano Sales, o 'Rei do Arrocha'( há quem diga que existem outros ) que custou R$3,00, e põe pra ele e toda a vizinhança ouvir. Bem, depois emenda com pagode de 19ª categoria e axé, regado a muita cerveja no 'juízo'. E assim seguem todos 'felizes' para sempre...
Felizes uma droga, existem aqueles baianos, igualmente a mim, que não toleram essa 'folclorização' baiana 'do tudo pode, é assim mesmo', e partem para o contra-ataque. Existem mobilizações contra essa barulheira e fiscalizações que mesmo ainda não sendo o ideal, pelo menos mostra que existe um inconformismo de uma parcela da população. Afinal os meus ouvidos e os de alguns baianos não são latrinas para receber tanto...digamos, "material fecal sonoro". (06/01/2007)

Charges da série "Maus hábitos do baiano" (2006) -parte IX andar de graça nos ônibus ("traseirar")



Filho direto da "morcegagem" dos anos 1980, a "traseiragem" é outro mau hábito baiano que resiste ao tempo. É um mau hábito quase que exclusivamente masculino. é muito comum se ver o fundo do ônibus, entre os degraus e a catraca, lotado de desocupados esperando o seu ponto pra sair pela porta de entrada. Confira o texto original sobre a charge.

"Se há uma coisa que alguns baianos adoram, é andar de graça nos ônibus. E o pior, 99% são homens. Em Salvador, a entrada é pelo fundo e a saída é pela frente. Quando o passageiro entra, é comum se ver um monte de sujeitos nos degraus da porta traseira,verdadeira "visão do inferno" esperando o ponto certo para sair pelo fundo. Pô, o pior é quando é um bando de caras com aquele 'catinguelê' desgraçado, desodorante vencido há séculos.
Esse (mau) hábito já é antigo, e como alguns baianos confundem tradição com falta de educação, já encaram como 'algo incorporado à nossa cultura, meu rei'. Já aconteceu comigo de eu tentar subir e de repente, desce um cara atropelando todo mundo que queria embarcar. Os argumentos são os de sempre, 'que tá sem dinheiro' e que o 'transporte tá caro'. Engraçado que só é caro para os homens.
O chato é o coitado do cobrador que é obrigado a mandar o cara descer, já que a empresa não quer perder dinheiro. Pior é quando o sujeito é mal encarado e 'parrudo', e com um linguajar todo especial, através do qual, descarrega adjetivos 'elogiáveis' no cobrador e em toda a geração familiar deste.
E o que fazer quando o ônibus pára no ponto que o 'traseirista' quer descer e porta não abre? Não há problema, é só tentar abrir a porta "no braço" mesmo, na marra. Nessas horas, se pode contar também com a ajuda dos outros "companheiros 'traseiristas', afinal a união faz a força. Ou então com a colaboração de quem está do lado de fora, fingindo que vai pegar o 'buzão', para abrir a porta. Solidariedade até na malandragem!" (25/12/2006)

Charges da série "Maus hábitos do baiano" (2006) - parte VIII: demora e atendimento ruim




Para aqueles que já estavam com 'saudades', segue mais um capítulo da série 'Maus Hábitos do Baiano'. Desta vez, um dos maus hábitos 'clássicos': a demora e péssimo atendimento nos estabelecimentos comerciais.
Essa é uma reclamação não só de turistas, mas também dos próprios baianos, que cansados de tanta "maresia" ( excesso de lerdeza ), botam a boca no mundo. É o atendente que demora de atender, é a demora do pedido de chegar, isso quando o pedido não vem errado. É um verdadeiro exercício de paciência pra monge budista nenhum botar defeito.
Aliás coincidência ou não, essa crise nos aeroportos - onde reina a demora e o atraso dos vôos - é de inteira responsabilidade do Ministério da Defesa, cujo ministro é...o baiano Waldir Pires, ex-governador da Bahia.
Pois bem meu caro turista, quando vier para a Bahia, depois de enfrentar a demora dos vôos, prepare-se para enfrentar a demora nos bares, restaurantes... (24/12/2006)

Charges da série "Maus hábitos do baiano" (2006) - parte VII: atravessar fora da passarela



"Salvador é uma cidade que é cortada por grandes avenidas, algumas delas construídas na década de 1970, quando a cidade teve um grande impulso populacional e de desenvolvimento urbano. Para facilitar a circulação, fazer as interligações entre os pontos mais distantes, já que as áreas mais longínquas começavam a ser ocupadas, houve a necessidade da construção dessas avenidas. A partir dos anos 1980, surgiram passarelas mais modernas que ajudaram a circulação dos pedestres, ligando um bairro ao outro ( algumas avenidas dividem bairros )e sobre tudo, evitando que esses mesmos pedestres fossem atropelados, como de fato acontecia com frequência.
Acontecia, e em alguns locais ainda acontece, mesmo com construção das passarelas. Existem alguns pedestres que insistem em atravessar pelo meio da avenida movimentada, se arriscando.
O que é muito comum Salvador, é ver comunidades parando o trânsito, pondo troncos de árvores, queimando pneus no meio da rua, berrando, crianças querendo aparecer na TV  tudo isso para exigir passarelas. Depois que o poder público atende, essas mesmas pessoas continuam atravessando pelo meio da rua. Alegam que passar pelo meio das avenidas 'é mais rápido'. Outros dizem,'pô, tá tão longe!'. Vai ver que na verdade a passarela era só para enfeitar.
Enquanto a desatenção da população e o descaso das autoridades com a educação continuarem, o trânsito em Salvador continuará matando muita de gente, e o pior, às vezes por motivos tolos como a preguiça de atravessar uma simples passarela." (10/12/2006)

Charges da série "Maus hábitos do baiano" (2006) - parte VI: assoar o nariz com a mão



"E a saga dos maus hábitos do baiano continua, para desespero dos 'baianófilos' sensíveis de plantão.
Lá vai mais um que é muito comum na 'Cidade da Bahia': assoar o nariz com a mão, esse é de lascar. Imagine você, saboreando aquele acarajé delicioso, e vem um sujeito todo afoito e agoniado pelo nariz estar entupido  segura o mesmo com os dedos e dá aquela assoada caprichada, dando até pra ver os 'dejetos nazais' do cara saindo pelas narinas. Certamente o seu apetite foi pro brejo, né?
Pois é, em Soterópolis são poucos os que usam o lenço para nos pouparmos de tais situações. Como não usam lenço, assoam com a mão mesmo, e se esta ficar melada, é só limpar na roupa ou então na parede, nos muros ou nos postes.
Quando não é assoar é espirrar como um chuveiro. Já fui até vítima disso, o cara espirrou em mim dentro ônibus e na minha camisa limpinha, quando eu ia para escola numa segunda-feira. Filho d'uma égua!!" (02/12/2006)

Charges da série "Maus hábitos do baiano" (2006) - parte V: estacionar o carro sobre a calçada


Este mau hábito resiste ao tempo e à minha paciência. Assim como urinar na rua, estacionar o carro sobre as calçadas de salvador parece uma necessidade "sexual" do soteropolitano. Estacionamento e calçada, na cabeça de alguns motorista de Salvador, são praticamente a mesma coisa. Confira o texto original.


"O que é pior, estacionar o carro em local proibido ou em cima da calçada? Em Salvador, onde o trânsito é um dos mais bagunçados do pais, boa parte dos motoristas baianos adoram estacionar os seus 'carangos' sobre as calçadas. Para eles, é como se elas fossem a continuação do asfalto.
E eles não têm a menor cerimônia, vão estacionando e se você estiver andando na calçada, até buzinam pra sair da frente, na maior cara-de-pau. Há até casos de carros estacionados sobre as calçados com as pistas tácteis para cegos. Pois é, por incrível que pareça, a capital baiana, que presta um péssimo serviço ao pedestre, dispõe desse equipamento. Imagina o cego se batendo com o veículo estacionado onde ele deveria passar.
E a cena retratada na charge é muito comum em Salvador. O pedestre tem que andar na rua e disputar o espaço com os carros.
As calçadas em Salvador, em sua maioria são todas quebradas, mal feitas e verdadeiras armadilhas para idosos, crianças e deficientes.Você que acompanha esta série e me acha até antipático ou 'antibaiano', experimente se passar por um cego ou cadeirante( deficiente em cadeira de rodas) e tente enfrentar os carros na calçada.
Quanto à resposta da pergunta no começo, oras, como diria o Otávio Mangabeira, ex-governador da Bahia, 'pense no absurdo, na Bahia há precedente'. É claro que estacionam o carro na calçada em local proibido." (26/11/2006)


Charges da série "Maus hábitos do baiano" (2006) - parte IV: "Surfar" no ônibus




Um mal hábito que pode ser considerado também um filhote do "morcego": o "surf rodoviário". Alguns chamaram também de "homem aranha". Teve seu auge nos anos 2000. Foi um "modismo" que de tão perigoso, não durou muito tempo. Confira o que escrevi na época.

"Versão 'rodoviária' do 'surf ferroviário', o 'surf' no ônibus chegou a ter alguns praticantes em Salvador.
Cheguei a presenciar alguns deles, a maioria, estudantes de colégios públicos, que subiam no teto dos ônibus para 'surfar' e urrar. E como urravam esses moleques...pareciam que estavam de "caganeira".
O 'surf rodoviário' foi mais uma demonstração 'criativa' de alguns soteropolitanos cansados do jeito monótono de andar de ônibus na capital baiana, cujo transporte é um dos mais 'desavançados' do país.
Devido aos acidentes, com alguns praticantes indo urrar no 'além', e o fato desse 'esporte' em si, ser perigoso demais, o 'surf rodoviário' foi perdendo força. São poucos os que se aventuram a 'surfar' no 'buzu' hoje." (12/11/2006)

Charges da série "Maus hábitos do baiano" (2006) - Maus hábitos do baiano, parte III: “morcegar”.



Taí um mau hábito que praticamente "extinguiu": o "morcegar".  Mesmo em 2006, ele já estava praticamente extinto, mas deixou um "filhote": o "traseirista". 

"Como mostra a charge, 'morcegar' é o ato de andar de ônibus em pé sobre o pára-choque e agarrado no fundo do veículo. É uma maneira bastante "econômica", "criativa" e perigosa de se andar de ônibus em Salvador. Já foi mais popular, principalmente nos anos 1980 até meados dos 1990.
Era muito comum ver os ônibus da nossa querida cidade, cheios de 'morcegos' no fundo, era uma visão 'maravilhosa' de como o nosso transporte era "moderno" e "avançado". E era também 'confortável', pois, o sujeito agarrado no fundo do 'buzu' sentia a brisa batendo no rosto, ao contrário dos passageiros que estavam lá dentro do veículo no aperto e num calor infernal.
Com a grana economizada do 'buzu', dava pra encher a cara de cerveja no boteco da esquina. Viu como aquela galera pensava 'grande'. 'Bons tempos' aqueles..." (11/11/2006)

Charges da série "Maus hábitos do baiano" (2006) - parte II: urinar em via pública



"Um amiga dos meus tempos de faculdade me dizia que Salvador cheirava a "dendê e xixi". Dendê por motivos óbvios. Xixi porque certos baianos têm o péssimo hábito de urinar em qualquer lugar, sejam em praças, ruas, avenidas, postes, muros...o que importa é deixar aquele odor desgraçado de mijo. No Carnaval, a coisa piora.
Os "mijões de rua" alegam que é falta de sanitários públicos; eu alego que é pela falta de educação doméstica" e pela postura machista que ainda está encruada em muitos baianos. Se fosse pelo que dizem, haveria um monte de mulheres urinando em tudo quanto é lugar.
Queria ver se agiriam na mesma naturalidade, se alguém mijasse na frente das casas deles, sob os olhares das suas esposas e filhos. Será que seriam solidários pelos "sem sanitários públicos" ou os chamariam de safados, tarados e mal educados?
Pois é, urina na porta dos outros é perfume." (05/11/2006)

Charges da série "Maus hábitos do baiano" (2006) - parte I: jogar lixo na rua.




Em 2006, criei uma série intitulada "Maus hábitos do baiano" composta de 10 charges nas quais eu satirizei alguns dos péssimos costumes do povo baiano, em especial, os de Salvador. As charges foram postadas no meu antigo blog, o "Arca da Arte". Na época, elas geraram algumas discussões e no ano passado, algumas dessas charges ilustraram uma matéria publicada pelo jornal "Tribuna da Bahia", abordando justamente os maus costume da população da capital baiana. 

Agora, através deste meu atual blog, o "Feijoada Visual", posto aqui as 10 charges acompanhadas dos seus respectivos textos que escrevi na época das suas postagens originais. Segue abaixo o texto da primeira charge da série.


Maus hábitos do baiano - parte I: jogar lixo na rua. “Alguns baianos comem tudo o que vêem pela frente: milho cozido , acarajé, amendoim, abará e outras tranqueiras comestíveis. Depois que comem e enchem a pança, jogam os restos - cascas de frutas, papel, embalagens - na via pública. Quem paga o 'pato' depois são os outros baianos, que, como eu, não vivem se empanturrando nem emporcalhando nada, tendo que andar em calçadas sujas ou encarando 'lagoas' surgidas depois das chuvas, devido ao entupimento de bueiros” (29/10/2006)