domingo, 28 de fevereiro de 2010

Elis pop e texturizada


Mais uma "experiência pop visual", desta vez com Elis Regina. Nesta ilustração, me insprirei em Shepard Fairey, artista plástico auor do cartaz da campanha de Barak Obama, para a presidência dos Estados Unidos. A diferença é que aqui, eu trabalhei aqui com a textura.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

E assim se passaram 30 anos


Dos desenhos que fiz durante a minha infância, este é o mais antigo. Trata-se de um "álbum", feito em 1980, com folhas de papel sulfite, no qual estão os meus primeiros personagens. No entanto, foi no ano anterior, 1979, que criei o meu primeiro personagem, o leão Leonardo (que nome "original"). Naquela época, criava dezenas de personagens , acalentava ser um grande desenhista quando fosse grande, mas não conseguia criar uma história-em-quadrinho, não sabia desenvolver uma narrativa. O máximo que consegui, foi redesenhar "toscamente" uma HQ da Turma da Mônica, trocando os personagens do Maurício de Sousa pelos meus.

A personagem que aparece em destaque, é a Shirley, criação inspirada numa colega de escola. Outros personagens da mesma época, foram também inspirados em amigos meus de infância.

Como pode-se perceber, a influência "mauriciana" era muito grande nessa época nos meus desenhos. A começar pelo título "A Turma da...", algo muito comum entre os personagens infantis. De fato, o trabalho de Maurício de Sousa foi uma referência muito forte, assim com Disney e Hanna-Barbera. Só não sabia criar história-em-quadrinhos.

Somente em 1982, foi que produzi as minhas primeiras HQs, totalmente criadas por mim. Porém, foi neste trabalho rudimentar que comecei a ter uma noção de como produzir os meus próprios personagens, as minhas próprias criações.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Remake de "Ti Ti Ti"



Depois de "Paraíso", a Globo volta com mais um remake de telenovela. Desta vez é o remake da clássica "Ti Ti Ti" (1985) do saudoso Cassiano Gabus Mendes. Na verdade, a versão 2010 de "Ti Ti Ti", que substituirá "Tempos Modernos" no horário das 19h, será uma fusão de duas novelas, a própria "Ti Ti Ti" com "Plumas & Paetês" (1980), outro clássico de Cassiano. As duas novelas têm como pano de fundo o mundo da moda.

"Ti Ti Ti" foi uma das mais bacanas e divertidas novelas dos 1980, humor leve e inteligente, bem a cara de novela das 19h. O grande destaque da novela era a rivalidade entre os costureiros Jacques L'Eclair, vivido Reginaldo Faria, e o sedutor "espanhol" Victor Valentin, interpretação magistral de Luis Gustavo.

Jacques L'Eclair, nome artístico de André Spina, era um costureiro renomado e milionário que para o grande público era gay, "desmunhecava" uma barbaridade perante todo mundo, mas que na verdade era o maior "pegador". Não dispensava nenhuma das suas belas clientes da alta sociedade paulistana, nas quais dava uns "amassos" no seu atelier, sem que os maridos dessas tivessem a menor desconfiança.

Enquanto isso, Ariclenes, pobretão e malandro, personagem de Luis Gustavo conhecia desde a infância André Spina, e sentia um certa inveja do rival bem sucedido . As brigas e desavenças dos dois já vinham desde os tempos de criança e avançou a vida adulta. Um belo dia, Ariclenes teve uma idéia maluca e brilhante para se tornar um costureiro famoso de renome internacional. Como ele se tornou? Só vendo a novela.

As gravações da nova versão de "Ti Ti Ti" começarão em maio próximo, sob direção de Jorge Fernando. Há quem diga que Vitor Valentin/Ariclenes serão interpretados por Murilo Benício. Acho que o papel seria idel para o Cássio Gabus Mendes, que na primeira versão fez o Luti, filho de Ariclenes.

Para quem ainda acha que telenovela é uma arte menor - alguns nem consideram arte - confira o vídeo com uma entrevista de Hans Donner onde ele explica como fez a abertura muitíssimo criativa de "Ti Ti Ti" em 1985, com música homônima interpretada pelo grupo Metrô. Donner consegue transpor para a abertura, toda a rivalidade que cerca os dois personagens centrais da novela. Além do depoimento de Donner, com fotos da sua equipe nos bastidores da abertura, o vídeo tem a abertura original na íntegra.

Em tempos de computação gráfica como os de hoje, veja como foi que ele e sua equipe se viraram pra fazer a abertura há 25 anos. Muita gente até hoje acha que foram utilizados recursos de computação. Não sei se é saudosismo, mas passados tanto tempo, ela ainda impressiona e parece pouco datada.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Esses velhos Novos Baianos


"E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa "
Caetano Veloso

Pondo a "massa cinzenta" pra dançar


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Um guitarrista virtuose do carnaval baiano



Década de 1970. A Axé Music nem sonhava nascer e nem atormentar a minha paciência e inteligência. O frevo "trioeletrizado" reinava soberano no carnaval baiano, sacudindo a massa pelas ruas e ladeiras de Salvador.

O Trio Elétrico Dodô & Osmar vivia o seu auge, com uma nova formação a partir de 1975, como uma verdadeira banda, tal qual um grupo de rock, contando com baixo e bateria, novidades para a época. Os filhos de Osmar se tornaram membros da banda e o grande destaque era o guitarrista Armandinho, que na época fazia carreira paralela com o grupo A Cor do Som. Com o tempo, o grupo foi rebatizado como Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar.

Armandinho começou a tocar desde cedo, tocando em cima dos trios elétricos desde os dez anos de idade, no começo dos anos 1960. Sua formação musical é rica, e a influência do mestre do choro Jacob do Bandolim é muito grande, dando-lhe técnica e agilidade. Outras vertentes musicais, como o rock, tornaram-se referências no seu trabalho.

As apresentações matadoras nos carnavais da Bahia do Armandinho, Dodô & Osmar, chegavam a mexer até com o público roqueiro, por causa da rapidez das músicas e os longos solos de Armandinho. E os frevos elétricos instrumentais, heranças do tempo em que os trios não tinham vocais e do próprio choro, eram arrasadores.

Com o surgimento do Axé nos anos 1980, as músicas do carnaval baiano desaceleraram e a guitarra perdeu espaço para a percussão. Agora está havendo uma mobilização para a revalorização da guitarra baiana, e com apoio de onde menos se esperava: do rock baiano. A Retrofoguetes, banda de rock da Bahia, é um dos nomes que tomaram a frente para o resgate da guitarra baiana.

O vídeo de "É A Massa", acredito que do final dos anos 1970, mostra o grupo afiado nas performances e todo o virtuosismo de Armandinho. O vídeo ajuda a entender por que Armandinho divide com Pepeu Gomes, o posto de melhor guitarrista baiano de todos os tempos. Ah, e confira o poder de fogo da pequenina guitarra baiana.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Requinte ao Axé

Se Ivete Sangalo e Claudia Leitte, duas grandes musas da Axé Music atual, possuem uma postura pop no palco, com figurinos caprichados, coreografias elaboradas, shows e discos bem produzidos e um completo domínio da carreira artística, muito se deve a Daniela Mercury. Sem ela, a Axé Music certamente ainda teria cantoras com visual cafona e submissas aos empresários tubarões da música.

Até antes de "La Mercury", ali no final dos anos 1980, as cantoras da Axé Music tinham a garra, o talento, mas esteticamente eram de um mal gosto terrível. Com os cantores, não era diferente, é só ver qualquer foto de Netinho e seu cabelo "sarará", ainda na banda Beijo em 1989, e tire suas conclusões.

Tudo começa a mudar, com o aparecimento da banda Companhia Clic, cuja vocalista era a jovem Daniela Mercury. A banda trazia uma apostura inovadora para o Axé, com uma sonoridade mais pop, figurinos mais requintados que em nada lembravam o colorido exagerado e brega das outras bandas de Axé. Isso sem contar que a vocalista, além de cantar bem, tinha uma boa formação em dança. A Companhia Clic e o seu pop-axé bem feito, era uma "estranha no ninho" naquele momento. Ela antecipava ( e com muita propriedade) o que a Banda Eva ( com Ivete nos vocais nos anos 1990), Babado Novo e Jammil iriam fazer só muito tempo depois.

O mérito de Daniela foi dar um pouco mais de credibilidade à Axé Music, e "descolar" o gênero da aura depreciativa dos tempos do "Fricote" de Luiz Caldas, e aproximá-lo da MPB. A prova disso foi a cantora ter gravado com gente que ia do quilate de Tom Jobim ao Skank. Daniela ainda surpreende no final dos anos 1990, ao colocar DJ´s e a música eletrônica no seu trio elétrico durante o carnaval baiano, gerando grande desconfiança nos caranavalescos tradicionais.

O clipe acima é da música "Canto da Cidade", um samba-reggae pop que dá nome ao título do seu segundo álbum solo, de 1992. O disco, produzido pelo "midas" Liminha, alavancou a carreira da jovem cantora que trouxe um pouco mais de requinte à Axé Music, e de quebra, deu um toque de contemporaneidade ao samba-reggae.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Um casarão com os dias contados em nome do progresso.


Até meados dos anos 1960, o bairro do Cabula, em Salvador, conservava um aspecto bucólico e rural, onde o grande destaque eram as chácaras e os sítios com suas plantações de laranja. Nessas propriedades, podia-se ver belíssimos casarões em estilo eclético, boa parte construída no início do século XX.

As laranjas do Cabula chegaram a ganhar fama, que durou até a chegada de uma praga que contaminou os laranjais e iniciou um processo de decadência dessas chácaras que se acentuou apartir do início dos anos 1970. O que se viu foi um grande processo de transformação urbana no bairro do Cabula. As chácaras e os sítios foram dando lugar aos conjuntos habitacionais e o asfalto foi tomando conta das estradas de terra. Alguns casarões antigos ainda resistiram ao avanço imobiliário, mas não por muito tempo. Hoje restam pouquíssimos exemplares.

Um deles é esta casa, totalmenete degradada e descaracterizada, localizada na rua Christiano Buys, mais conhecida como a antiga ladeira do Cabula. O imóvel pertenceu ao empresário Euvaldo Carvalho Luz, fundador do Shopping Barra, falecido em 2009. Acredito que ele herdou a casa de seus familiares.

A casa, em estilo eclético, foi provavelmente construída entre 1900 e 1915, quando o ecletismo arquitetônico ainda estava em voga, dividindo com o art nouveu, a preferência da elite da época nas construções das suas residências. No caso desta casa, construída numa época em que o Cabula era uma região rural de Salvador, certamente serviu de casa de veraneio e repouso nos finais de semana.


Hoje esta casa em nada lembra o seu passado de requinte. Está muito mal conservada, decadente e descaracterizada. A porta e a janela da fachada não são originais, o mesmo acontecendo com as janelas na lateral do imóvel. Segundo um zelador que toma conta da casa, ela tinha na sua fachada, duas janelas e uma porta no meio.
Se já não bastasse o seu estado tão degradado, a casa está com os seus dias contados. As obras da via portuária que irão proporcionar grandes transformações no sistema viário de Salvador, passarão no local onde está a casa e ela "sumirá do mapa", assim como os outros casarões do outrora bucólico Cabula antigo.