domingo, 31 de janeiro de 2010

A ponte da discórdia


Nem bem a interminável construção do metrô de Salvador, "o menor metrô do mundo", foi concluída, o poder público baiano já lança um novo desafio no que se refere a obras "megalomanícas". A "bola" da vez é a ponte Salvador-Itaparica, que ligará a capital baiana à ilha, e que segundo os envolvidos com o projeto, será uma nova via para o oeste do estado da Bahia.
O governo do estado está otimista com a construção da ponte, pois representa um grande desenvolvimento para o estado , e claro, muitos votos e a perpetuação do nome do governante na história da Bahia. Quem vê com bons olhos e com a boca aberta cheia d'água, tal qual um faminto diante de uma prato de sarapatel, é a especulação imobiliária, que vê uma grande oportunidade de criar condomínios de luxo na ainda verde ilha de Itaparica, afastando os nativos pobres e mandá-los catar "coquinho" em outra freguesia. Que o diga a Praia do Forte, que tem mais cara de cenário do Projac da Globo do que de Bahia
Quem também está com a boca escancarada cheia de dentes, esperando abocanhar a grana de obras superfaturadas, são as empreiteiras. Estas vão fazer a "festa", com direito até a lavagem com baianas e seus pontes com água de cheiro.
Por falar em cheiro, essa idéia não me "cheira" bem. Se as obras do metrô de Salvador, que a princípio teria 12 km de extensão e foi reduzido pela metade, está levando pouco mais de dez anos de construção, imagine as obras dessa ponte. A ponte de Salvador-Itaparica seria provavelmente mais extensa do que a de Rio-Niterói, sobre uma profundidade maior do que a da Baía da Guanabara, esta, mais rasa que a da Baía de Todos os Santos.
Não que eu seja contra a construção da ponte, mas acho que a prioridade maior deveria ser o metrô de Salvador, cuja construção se arrasta há anos e já virou motivo de piada. A população já o batizou de "metrô calça-curta" e " ferrorama".
Espero que no caso da ponte, os baianos e seu jeito irreverente de ver o mundo, não a batize de "A Ponte da Baía que Cái".

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Trio elétrico "celular"


Com a democracia tecnológica, todo mundo pôde ter acesso a maravilhas eletrônicas. Dentre essas maravilhas, está o telefone celular, alguns simples e outros funcionais enquanto outros, cheios de recursos teconlógicos que nem sempre o proprietário irá usar.

Salvador sendo uma cidade essencialmente musical, o celular também virou um indispensável companheiro de "sonzeira", e é aí meu caro, que mora o "perigo". Nos ônibus da capital baiana virou uma verdadeira "praga" ver passageiros, boa parte deles jovens, ouvindo os seus "rádioscelulares" em volume alto, tocando verdadeiras porcarias musicais. É desesperador, parece que esses cidadãos nunca ouviram falar em fone de ouvido, e insistem querer "compartilhar" com todos os outros passageiros, o "lixo" que ouvem, achando que estão "abafando".

O repertório é de aterrorizar qualquer mortal. É Axé Music, Arrocha - um bolero de teclado de churrascaria - e o novo Pagode baiano, mais lento, dando mais evidência à linha de baixo e com um canto que remete ao Rap, mas pára por aí. As letras são de fazer Cazuza se remexer dentro do caixão ou as cinzas do Renaro Russo pularem. Letras como a do "me(rda)gahit" "Rebolation", do grupo baiano Parangolé, é de causar "inveja" aos Los Hermanos, sinta o drama: "Bota a mão na cabeça que vai comecar/ o rebolation, tion o rebolation, o rebolation, tion/rebolation/ o rebolation, tion, o rebolation/ rebolation..." Chico Buarque não faria nada igual, "mesmo".

Ainda bem que quando pego o meu "buzu" ( ônibus em baianês) sempre trago comigo o meu sonzinho, pego meu fone e ouço o meu rock numa boa, me poupando da "lavagem pseudofecal-musical" da galera.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

25 anos da vitória de Tancredo


Hoje está fazendo 25 anos que Tancredo Neves venceu no Colégio Eleitoral nas eleições indiretas para presidente da república. Uma vitória histórica sobre Paulo Maluf, na época filiado ao PDS, que virou PFL e hoje é DEM. Tancredo era do PMDB, e teve todo o apoio dos partidos de esquerda e centro-esquerda.
Na noite da sua vitória, estava rolando Rock in Rio, e Cazuza, ainda vocalista do Barão Vermelho, saudou a vitória de Tancredo Neves, nosso primeiro presidente após Regime Militar (1964-1985). O Scorpions adentrou o palco com uma enorme bandeira do Brasil, o público foi ao delírio.
Pena que Tancredo Neves morreu três meses depois. O pior é um certo José Sarney entrou no seu lugar. Mas isso é uma outra história.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Pinturas em disco de vinil

"Monalisa" (2009). Acrílico sobre disco de vinil.


"Elvis"(2009). Acrílico sobre disco de vinil


Pinturas em disco de vinil

"Che"(2009). Acrílica sobre disco de vinil.

Há algum tempo, tinha uma vontade de fazer uma experiências pitóricas com discos de vinil. Peguei alguns discos velhos que tenho em casa, e decidi fazer uma pinturas. Tirando o proveito do velho LP ser ( ou ter sido ) algo tão popular, ter sido um meio de veiculação de massa, aproveitei isso e decidi retratar figuras conhecidas, figuras populares, "pops", que estão no imaginário popular. Aliado a isso usei como referência a estética da Pop Art, pela qual sempre tive admiração.
As figuras escolhidas foram Che Guevara, Elvis Presley e a figura "Monalisa", obra-prima do Leonardo da Vinci. A pintura do Che e da Monalisa ficaram satisfatórias, contudo a do Elvis, a aparência acho que ficou um pouco distante do que imaginei.
Gostei da experiência, irei fazer outras pinturas tendo o disco de vinil como suporte e dentro da linha da Pop Art.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Elton John dos bons tempos


Para algumas pessoas, principalmente os mais jovens, Elton John é tão somente um cantor inglês "sessentão" conhecido por baladas românticas de sucesso. Porém, essa geração nova talvez desconheça o jovem Elton John dos anos 1970, um mega astro pop de sucesso planetário, com álbuns de vendas milionárias, pilhas de hits nas paradas de sucessos, entre baladas românticas e rocks (isso mesmo, rocks) que sacudiram platéias em estádios e arenas de todo o mundo.
Eram os anos 1970, época em que o rock se tornou uma indústria milionária, cantores e bandas se tornaram quase que "semi-deuses" da juventude. Tudo se tornou gigantesco e caro, de cachês a palcos, passando por produção de discos. Elton John foi parte disso, desse verdadeiro circo milionário do rock.
Naquela, época, Elton John no auge dos seus vinte e poucos anos, era uma presença freqüente no rádio, na tv, nos jornais e nas revistas. Ficou marcado para sempre por se apresentar com óculos extravagantes, dos modelos e tipos mais criativos, mostrando também ser ele, um cantor talentoso e irreverente, bem diferente do Elton John careta e chato que se tornou apartir de meados dos anos 1980.
O sucesso de Elton John permaneceu, porém os tempos dos excessos de drogas e sexo ficaram para trás e tiveram o seu preço. Numa entrevista há alguns anos atrás, Elton John disse que precisou dar uma "freada" naquela loucura. Acredito que por pressão do "fantasma" da AIDS que surgia nos anos 1980, que ceifou a vida alguns astros do rock naquele momento. Talvez isso tenha soado como um sinal amarelo para ele, e antes de cair no "precipício" da fama, Elton decidiu "brecar".
Perdemos o Elton John irreverente, alegre e cheio de excessos, e ganhamos um Elton John careta e cafona, porém saudável. Pena que não deu pra reunir as coisas boas dos dois Eltons.