quarta-feira, 21 de abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

No tempo em que o "Inferno" era "Paraíso" II


Em novembro do ano passado,postei duas ilustrações http://sidneyfalcao.blogspot.com/2009/11/no-tempo-em-que-o-inferno-foi-paraiso.html, onde procurei retratar aproximadamente, como era há 30 anos, parte do hoje bairro do Arenoso, que na época era apenas uma localidade do então bairro do Beiru, mais conhecido agora como Tancreo Neves, aqui em Salvador.
Se atualmente, o Arenoso é um dos bairros mais violentos de Salvador, onde o tráfico de drogas dita as regras, há 30 anos, o lugar realmente parecia um povoadozinho do interior. A tranqüilidade reinava e a violência passavam muito longe.
O desenho que apresento acima, é um estudo, um croqui onde reconstituo o que a rua onde eu morava, que ainda não era asfaltada, não havia infraestrutura. Mas o clima bucólica, esse era grande. O campinho de futebol era onde eu e os meus amigos nos divertíamos. À esquerda da ilustração, onde se vê uma cerca, era o Sítio São Bento. Vez ou outra, entrávamos para pegar manga, caju ou mangaba, pra desespero dos zeladores do sítio. Mais tarde, o velho e verde sítio deu lugar a um conjunto popular onde hoje se localiza o fim de linha de ônibus do bairro do Arenoso.
Esse postes gigantes, são da rede da Chesf ( Companhia Hidrelétrica do São Francisco ). Quando lá cheguei com a minha família, em 1978, essa rede já estava lá. Ao cair da tarde, dava pra ouvir os zumbidos da rede elétrica, o que para mim, um garoto de 9 anos, parecia que aquele troço iria explodir a qualquer momento.
A mata ao fundo, era bacana. Tinha muita mangueira, jaqueira e coqueiros. De manhã cedo dava pra se ouvir o canto dos bentivis. Havia um caminho no meio da mata que dava acesso ao Centro Administrativo da Bahia (CAB). À noite, a escuridão da mata contrastava com os pontos de luz dos prédios futuristas do CAB. A mata que se vê, várias vezes foi alvo de tentativas de invasão, para se fazer barracos. A polícia agia com mão de ferro, e derrubava tudo. Lamentávelmente, depois que nós saímos de lá, em 1982, essa mata sumiu e virou uma grande favela.
No primeiro plano da ilustração, à esquerda, a casinha de duas portas era a venda do meu pai. naquela época não havia os mercadinhos, tinha era venda. Na venda tinha o balcão, onde se comprava de tudo um pouco: feijão, arroz, farinha, óleo, enlatados como sardinha, quitutes, extrato de tomate. Mas o que tinha muita saída mesmo era cerveja e cachaça, principalmente nas tardes do meio de semana e nas manhãs de domingo, quando a galera do "baba" chegava na área para o futebol. O pessoal dava lucro pra gente, mas ao mesmo tempo prejuízo, quando o telhado de amianto ( também conhecido como "de Eternit" ) da nossa casa e da venda, era atingido pelas boladas. Sempre rachava ou quebrava alguma telha.
Eram tempos bucólicos e românticos, e agora muito distantes. E esses jamais voltarão, ficaram só nas nossas memórias e corações.

sexta-feira, 2 de abril de 2010