quarta-feira, 31 de agosto de 2016

terça-feira, 30 de agosto de 2016

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

sábado, 27 de agosto de 2016

25 anos de "Ten"


Até 1990, o movimento musical que vinha de Seattle e trazia um novo sopro de vida ao rock norte-americano já era uma realidade nos Estados Unidos. No entanto, para o resto do mundo, ou pelo menos para o grande público, o grunge era um completo desconhecido. Aqui no Brasil, me lembro que a revista “Bizz” fez uma série de matérias por volta de 1990 sinalizando que alguma coisa pesada e barulhenta estava acontecendo com o rock da terra do “Tio Sam”. O grunge só ganharia a visibilidade internacional a partir de 1991, e causaria um “terremoto” de grandes proporções no rock mundial só comparável ao impacto do movimento punk nos anos 1970. E um dos responsáveis por esse “abalo sísmico” roqueiro de proporções mundiais foi Ten, o primeiro álbum da carreira da banda Pearl Jam, um dos ícones do “som de Seattle”, como também é chamado o grunge.

O Pearl Jam surgiu dos cacos da banda de heavy metal Mother Love Bone, que chegou ao fim em 1990 com a morte do seu vocalista, Andrew Wood, vítima de overdose de heroína. Dois ex-integrantes, o guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament, começaram a desenvolver com o guitarrista Mike McCready, um trabalho musical novo e pesado. Uma fita que gravaram caiu nas mãos de um surfista via Jack Irons, ex-baterista do Red Hot Chili Peppers que havia recusado o convite pra entrar na banda. O tal surfista ouviu a fita, que só tinha músicas instrumentais, e escreveu algumas letras. Gravou os vocais com as letras que escreveu para as músicas da fita e enviou para Ament e Gossard que gostaram e o convidaram para ser o vocalista. O tal surfista era Eddie Vedder.

Mother Love Bone, de onde saíram Stone Gossard (primeiro à esquerda) e
Jeff Ament (último à direita) para formar o Pearl Jam.

Com a entrada de Dave Krusen para a bateria, a banda se completou e foi batizada de Mookie Blaylock, e em pouco tempo, já estavam assinando contrato com a Epic Records no final de 1990. Mas o nome Mookie Blaylock foi logo trocado por Pearl Jam, sugestão de Eddie Vedder cuja bisavó era chamada “Pearl Jam” (“geleia de pérola”).

Entre março e abril de 1991, o Pearl Jam gravou o seu primeiro álbum, tendo Rick Parashar na produção. Boa parte do disco foi baseada no material que havia sido gravado nas fitas “demo” e as letras escritas por Eddie Vedder.

Intitulado Ten, o álbum de estreia do Pearl Jam chegava às lojas em 27 de agosto de 1991. O estouro da faixa “Alive” nas rádios e o vídeo clipe sendo bem executado na MTV norte-americana, alavancaram as lentas vendas inicias de Ten. O álbum acabou entrando no Top 10 da Billboard 200. As críticas a Ten foram de uma certa maneira equilibradas. Parte da imprensa musical teceu elogios ao álbum, enquanto outra não poupou duras críticas. Aqui no Brasil, a “Bizz” se mostrou um tanto quanto “morna” ao primeiro trabalho do Pearl Jam.

Pearl Jam
                                        
Ainda no campo da crítica, irônico foram as críticas raivosas do ninguém menos que o “band leader” do Nirvana, Kurt Cobain, a Ten, afirmando que o Pearl Jam era “vendido” e “oportunista”.  Talvez ele estivesse se referindo ao fato do Pearl Jam ter assinado com uma grande gravadora como a Epic Records, e não com uma gravadora como a Sub Pop, selo de Seattle que foi o “celeiro” das bandas grunges, o que eu acho uma tremenda besteira por parte de Cobain. O Alice in Chains, outro ícone do grunge de Seattle, havia lançado o seu primeiro álbum, Facelift, por uma grande gravadora, a Columbia, um ano antes do Pearl Jam, vendendo mais de 2 milhões de cópias. 
A ironia é saber que o Nirvana do Cobain, que surgiu da cena alternativa, acabou devorado pelo “sistema” com o sucesso planetário de Nevermind no maintream. Tanta exposição fez Cobain não segurar a onda, e já sendo um cara com tantos problemas e “demônios” internos, acabou metendo uma bala na cabeça em 1994, pondo fim à própria vida, ao Nirvana e à Era Grunge. O Pearl Jam seguiu em frente, e sobreviveu a tudo isso com dignidade.

Os temas abordados nas canções de Ten são densos e até sombrios em algumas faixas. Vão desde suicídio (“Jeremy”), solidão (“Porch”), mendicância ("Even Flow") até temas mais amenos (“Oceans”). “Alive” é praticamente uma autobiografia de Eddie Vedder que fala de um garoto que descobre que seu pai é na verdade seu padrasto.

Eddie Vedder
Musicalmente, Ten apresenta uma bem dosada mistura de referências do hard rock clássico dos anos 1970 com a fúria selvagem do indie rock, guitarras pesadas e uma certa levada dançante marcada pelo baixo e bateria, remetendo ao funk metal que estava em voga na época através de bandas como Red Hot Chili Peppers, Faith No More, Living Colour entre outras. A pegada de rock clássico das guitarras do Pearl Jam era o que o diferenciava das outras bandas da explosão grunge. É possível perceber “ecos” de Jimi Hendrix por quase todo o álbum nos solos executados por Mike McCready, principalmente em “Why Go”(uma das minha preferidas do disco) na qual os efeitos de pedais wah-wah parecem fazer a guitarra “derreter”. Além disso, tem a voz rasgada de Eddie Vedder que nos palcos se agiganta com a sua presença carismática. Essas qualidades acabaram fazendo o Pearl Jam uma perfeita banda para grandes estádios e arenas.

“Alive”, “Jeremy”, “Even Flow” e “Black” foram os grande hits de Ten. O vídeo clipe de “Alive” foi indicado para o MTV Video Music Awards na categoria “Melhor Video Alternativo”, em 1992. “Jeremy” teve o seu vídeo clipe premiado na edição de 1993 do MTV Video Music Awards em quatro categorias.

Em mais de 20 anos de lançado, estima-se que Ten já tenha vendido mais de 13 milhões de cópias.

Nevermind, segundo disco da carreira do Nirvana, pode até ser o mais importante álbum do grunge, mas sem sombra de dúvidas, o melhor álbum de estreia de uma banda grunge é de longe, Ten. Nenhuma banda da onda grunge estreou também em disco como o Pearl Jam com Ten. De qualquer forma, ambos os álbuns, juntamente com Badmotorfinger, do Soundgarden, ajudaram naquele segundo semestre de 1991, a disseminar o som grunge em escala planetária e a modificar a trajetória do rock.


"Alive"


"Jeremy"


"Even Flow"


"Black"
                                         

                                       



                                       


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Contagem regressiva


"Boston" - 40 anos


O álbum de estreia da banda norte-americana Boston é um exemplo de que talento, qualidade técnica e apelo comercial podem conviver juntos, legitimando assim o sucesso de uma obra. Boston, o álbum, foi um dos maiores fenômenos em vendagens de discos da indústria fonográfica nos anos 1970. Lançado em 25 de agosto de 1976, o álbum atingiu recordes de vendas, catapultando uma banda do extremo anonimato para o estrelato mundial num espaço de poucos meses. Boa parte dessa proeza se deve ao talento, à inventividade, perseverança e ao espírito inquieto do multi-instrumentista Tom Scholz.

Quando criança, Tom estudou piano clássico, mas gostava de montar e projetar coisas como por exemplo, aeromodelos. Ainda muito jovem, graduou-se e fez mestrado em Engenharia Mecânica pela MIT (Massachusetts Institute os Technology) aos 23 anos em 1970. Diplomado, foi trabalhar na Polaroid Corporation.

Trabalhando de dia, à noite dedicava o seu tempo à música, compondo e tocando em bandas do circuito roqueiro de Boston e redondezas. Com o salário que ganhava, comprou equipamentos e montou um estúdio no porão de sua casa em Waterdown, em Massachusetts. Autodidata, tocava guitarra, baixo e teclados. No shows noturnos, conheceu o guitarrista Barry Goudreau, o baterista Jim Masdea e o saudoso vocalista Brad Delp (1951-2007), e com eles começou a gravar fitas “demo”(fitas de demonstração) com as suas próprias composições no estúdio que montou. Enviava esse material paras as gravadoras, porém elas sempre rejeitavam. Em 1974, tocaram ao vivo em shows sob o nome Mother’s Milk, mas no ano seguinte a banda se desfez, preferindo continuar juntos na persistência de gravações de “demos” no estúdio de Tom.

Fita master do álbum e acópia do contrato assinado por
Tom e Delp com a Epic Records
Após tantas tentativas, uma das fitas chamou a atenção da Epic Records, em 1975. “More Than A Felling”, uma das canções da fita e futuro grande hit, foi quem despertou o interesse da gravadora e que logo propôs assinatura de um contrato. A Epic fez algumas exigências: além da demissão de Jim Masdea (que já havia deixado a banda antes da assinatura do contrato), exigiu que o álbum fosse gravado num estúdio profissional. Tom e Brad assinaram o contrato como únicos membros da banda que até então não tinha nome. Por sugestão do produtor John Boylan e do engenheiro de som Warren Dewey, a banda foi batizada como Boston, já que os músicos moravam próximos àquela cidade. Para completar a banda e gravar o disco, Tom e Brad convocou o velho amigo Barry Goudreau para a guitarra base, Fran Sheeran para o baixo e Sib Hashian para a bateria, todos eles músicos da cena roqueira de Boston.

Apesar da exigência da Epic, boa parte do matéria do álbum foi gravado no estúdio do porão de Tom Scholz. A mixagem e colocação dos vocais de Brad foram realizadas em estúdios ditos profissionais (como queria a gravadora) em Los Angeles, sob a responsabilidade de John Boylan.  Mesmo com a dedicação e o perfeccionismo na produção do álbum, Tom Scholz não acreditava que o álbum no sucesso de Boston. Apesar do álbum lançado, Scholz continuava no seu emprego na Polaroid. 

Em pé, da esquerda para a direita: Brad Delp, Tom Scholz, 
Barry Goudreau, e Fran Sheeran. Sentado: Sib Hashian.

A situação mudou quando “More Than A Feeling” estourou e escalou as paradas radiofônicas dos Estados Unidos. Em pouco tempo, “Boston” alcançou altos índices de vendas que ninguém da banda esperava. Em janeiro de 1977, “Boston” já batia a casa de 2 milhões de cópias vendidas e havia rendido três singles. A fama do Boston cresceu tanto que a banda já era tão popular quanto astros como Peter Frampton que ainda bombava com o álbum duplo Frampton Comes Alive (1976). O sucesso e a turnê de quase uma ano, encorajaram Tom Scholz a deixar o emprego na Polaroid. A consagração do Boston já era uma realidade.

Por muitos anos, Boston foi o álbum de estreia mais vendido da história fonográfica dos Estados Unidos, sendo superado mais tarde Appetite For Destruction (1987), do Guns N' Roses. Ainda assim, já ultrapassou a marca de 17 milhões de cópias vendidas.
Além do megahit “More Than A Feeling”, outras faixas viraram hits como "Peace Of Mind", a épica "Foreplay/Long Time" e autobiográfica "Rock and Roll Band".

Boston é para aqueles amantes de álbuns de rock bem produzidos e acabados. É “classic rock” por excelência. O que mais me impressiona no disco é como um cara como Tom Scholz, na época com cerca de 26/27 anos, conseguiu produzir um grande disco de rock, e logo no primeiro álbum de sua banda. Parecia um produtor experiente com anos de estrada em grandes gravadoras. Os anos em que ficou enfurnado no seu estúdio caseiro, movido pelo talento, dedicação e esmero deram bagagem para que ele alcançasse um nível tão alto. Além de talentoso jovem produtor, revelou-se um grande músico, principalmente como guitarrista.

A banda no estúdio do porão de Tom Scholz

O grande legado de Boston foi ter inaugurado um novo padrão de rock radiofônico, dando origem ao chamado AOR (Adult Oriented Rock ou Album Oriented Rock), muito associado ao arena rock (“rock de arena”), marcado pelo som pesado, ao mesmo tempo melódico e virtuoso, um misto de hard rock com rock progressivo. O disco tornou-se modelo para uma série de bandas contemporâneas ao Boston como o Journey,  Kansas, REO Speedwagon e influenciaria bandas de do mainstream do hard rock dos nos 1980 como Bon Jovi e Europe.

Boston  faixa a faixa:

1- “More Than A Felling” – O grande hit e do álbum e o maior da carreira do Boston. É um  exemplo clássico de rock para as massas, feito para ser entoado em grande estádios e arenas. Melodia e peso sonoro dão o equilíbrio perfeito a este rockaço. O saudoso Brad Delp mostra todo o seu potencial vocal. Tom Scholz faz a “parede” de guitarras, a base de riffs e solos. Há quem afirme que o riff de guitarra "Smells Like Teen Spirit ", do Nirvana, foi surrupiado de “More Than A Felling” por Kurt Cobain.  Quem são semelhantes, lá isso são.

2 - "Peace Of Mind" – É da época das fitas demo do Boston e em que o baterista era Jim Masdea. Na regravação para o álbum, a bateria é de Sib Hashian, porém seguindo os arranjos originais criados por Masdea. Aqui, mas uma vez os vocais Brad se destacam, onde ele faz voz principal e as vozes de fundo em belíssimas harmonizações.

3 -"Foreplay/Long Time" -  A faixa mais longa e talvez mais ambiciosa do álbum onde a Boston mostra todo o seu virtuosismo. São praticamente duas músicas em uma. O órgão Hammond pilotado por Tom Scholz dá o clima de rock progressivo no início da faixa e prossegue “forrando” a segunda parte da música, “Long Time”, mais puxada para o hard rock. Barry Goudreau dá um show nos solos de guitarra, botando-a pra “chorar”.

4 - "Rock & Roll Band" –  Autobiográfica, é outra faixa do álbum que havia sido registrada em fita demo. Para o álbum, Tom Scholz chamou o antigo baterista, Jim Masdea pra tocar.

5 - "Smokin” – Neste hard rock, há uma certa influência do hard rock inglês. O grande destaque nesta faixa é o som do órgão Hammond executado por Tom Scholz que “forra” a base da música e faz o solos incríveis, chegando até a dar um certo clima de “Fantasma da Ópera” em determinado trecho.

6 - "Hitch a Ride" – A faixa mais leve e melódica do álbum, apesar de intercalar com trechos pesados.  Brad Delp mostra mais uma vez as suas belas harmonizações vocais, e canta de uma maneira bem doce. As viradas de bateria de Sib Hashian são sensacionais. Os solos de guitarra caprichados e os violões melódicos que abrem e fechando a canção são de Tom Scholz.

7 - "Something About You"  - Depois de um rock balada, um hard rock pra aumentar a temperatura. Aqui Brad canta pra cima, e para os vocais de fundo, ele praticamente criou uma colcha de vozes sustentada por uma base guitarras pesadas e solos dobrados executados por Tom Scholz.

8 - "Let Me Take You Home Tonight" – Composta por Brad Delp, esta é a única faixa em que todos os membros da banda tocam juntos, cada um “no seu quadrado”.  É aqui que fecha o álbum.


"More Than A Feeling"


"Peace Of Mind"


"Foreplay/Long Time" 






terça-feira, 23 de agosto de 2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

domingo, 21 de agosto de 2016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

50 anos de "Leno e Lílian", o álbum


Nem só de bandas de cantores solo e bandas de rock era constituída a Jovem Guarda. Havia conjuntos vocais, desde duplas, trios até quartetos vocais. Dentre tantas duplas vocais que ganharam fama na Jovem Guarda, estava o casal de adolescentes Leno & Lílian, um garoto potiguar de 17 anos e uma garota carioca de 16. Os dois foram uma espécie de “Sandy & Júnior da Jovem Guarda”, mas que diferentes dos filhos de Xororó, não eram irmãos.

Em março de 1966, lançaram o primeiro compacto (single), “Pobre Menina”, versão em português de “Hang On Sloopy”, hit da banda americana de rock The McCoys. O single foi um enorme sucesso nacional tocando no rádio e na TV à exaustão. A CBS (hoje Sony Music), resolveu apostar mais alto e lançou o primeiro álbum da dupla, batizado apenas com o nome do casal adolescente.


“Leno e Lílian”, o álbum, revela a tendência pop da dupla. Composto por versões de canções internacionais e composições de autores brasileiros, o álbum foi um enorme sucesso.  Renato Barros, “band leader” do Renato & Seus Blue Caps e colaborador autoral com composições para outros artistas da CBS, cedeu a canção “Eu Não Sabia Que Você Existia”, parceria dele com Tony, baterista do Renato & Seus Blue Caps. “Devolva-Me”, é canção de Renato, desta vez em parceria com a própria Lílian. “Devolva-Me”, “Eu Não Sabia Que Você Existia”, mais “Pobre Menina”, que foi incluída no álbum, foram os três grandiosos hits do disco e que o tornou um dos grandes clássicos na discografia da Jovem Guarda. Quase quarenta anos depois, em 2000, “Devolva-me” voltou a se tornar um grande sucesso nacional, desta vez na voz de Adriana Calcanhoto.

Após o segundo álbum, lançado em 1967, apesar do sucesso, a dupla se separou no ano seguinte por causa dos constantes desentendimentos. Leno tentou uma carreira solo e Lílian sumiu da cena artística. Chegaram a voltar no começo dos anos 1970, lançaram mais dois discos, mas não tiveram a mesma repercussão como nos áureos tempos da Jovem Guarda. A dupla se desfez novamente. Enquanto Leno retomou a carreira solo, Lílian se lançava como cantora solo, emplacando hits pop “açucarados”. 

Nos últimos anos, os dois têm se apresentado em ocasiões especiais para a alegria e deleite dos fãs da Jovem Guarda, dos 8 aos 80 anos.

Confira os três grandes hits do debute de Leno & Lílian, mais uma versão remix bacana de "Pobre Menina".


"Pobre Menina"

"Devolva-me"

“Eu Não Sabia Que Você Existia”

"Pobre Menina" (versão remix)



  

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Defesa pessoal


Bon Jovi - 30 anos de “Slippery When Wet”


E um dos mais populares álbuns de hard rock dos anos 1980, Slippery When Wet, o terceiro da carreira do Bon Jovi, completa hoje 30 anos de lançamento. Após dois álbuns pouco expressivos, foi com Slippery When Wet que o Bon Jovi foi alçado ao estrelato do mainstream do rock mundial. 

Produzido pelo experiente Bruce Fairbairn (1949-1999),Slippery When Wet parece ter sido pensado para fazer sucesso. Pra começar, o Bon Jovi recrutou o compositor Desmond Child que é coautor de quatro das dez faixas do álbum. Diferente dos discos anteriores, em Slippery When Wet”, o Bon Jovi levou os teclados para segundo plano e deu mais ênfase ao peso das guitarras. É um disco no qual o som da banda ficou mais comercial, mais radiofônico, com um “sabor” mais pop, caindo no gosto do público rapidamente. 

Com mais de 28 milhões de cópias vendidas, Slippery When Wet emplacou quase todas as faixas sendo "Livin' On A Prayer" o grande hit do disco. Para o bem ou para o mal, Slippery When Wet foi quem ajudou a popularizar o chamado “rock farofa” dos anos 1980, onde bandas de hard rock se maquiavam muito e pareciam nunca sair de um salão de beleza. Essa onda só acabaria com a explosão do grunge no começo dos anos 1990. Mas isso, é uma outra história.



"Livin' On A Prayer" 



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

terça-feira, 16 de agosto de 2016

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

As quedas da vida


“Banda dos Contentes” – 40 anos




Na primeira metade dos anos 1970, Erasmo Carlos vivia uma plena transformação na sua carreira artística. Havia se desvencilhado da imagem de pop star da Jovem Guarda e se transformado num artista mais maduro e buscando novos horizontes. Para tanto, procurou ampliar o seu arco de referências musicais, flertando com o samba, com a soul music e a MPB, sem com isso abandonar o rock. Nessa nova fase, além da parceria com o “amigo-irmão” Roberto Carlos, Erasmo gravou canções de gente do alto escalão da MPB como Caetano Veloso, Jorge Ben, Marcos Valle, Taiguara entre outros.

Toda essa bagagem resultou na sequência dos melhores álbuns da sua carreira como Carlos, Erasmo… (1971), Sonhos e Memórias – 1942-1972 (1972), 1990 – Projeto Salva Terra (1974) e Banda dos Contentes (1976), álbuns que tornaram Erasmo um artista respeitado pela crítica.

Desse quarteto de álbuns, o mais bem sucedido foi Banda dos Contentes. Se os álbuns anteriores agradaram a crítica, Banda dos Contentes não só foi sucesso de crítica como também de público. Em Carlos, Erasmo…  e Sonhos e Memórias – 1942-1972, Erasmo navegava nos mares da MPB, mas em Banda dos Contentes, o Tremendão retorna ao rock, processo que havia começado com o anterior, 1990 – Projeto Salva Terra. Mesmo assim, sua experiência com a MPB permanece em Banda dos Contentes ao gravar canções de Gilberto Gil, Belchior, Ruy Mauriti e Jorge Mautner.

Produzido por Guti Carvalho 
e Erasmo Carlos, Banda dos Contentes foi puxado pelo hit “Filho Único” (Erasmo - Roberto), música que entrou para a trilha sonora da novela Locomotivas (1977), da Globo, e se tornou um grande sucesso no rádio e na TV. 

Erasmo é tido por alguns como o primeiro gravar “Paralelas”(de Belchior), antes mesmo do autor e com a letra original. Mas há controvérsias a respeito desse pioneirismo. Vanusa gravou “Paralelas” para o seu álbum Amigos Novos e Antigos, de 1975, ou seja, antes de Erasmo. Belchior só gravaria a sua própria canção em 1977 para o álbum Coração Selvagem. De qualquer forma, a versão rock balada de "Paralelas" feita pelo Tremendão ficou ótima.

O álbum de Erasmo segue com outros destaques como “Queremos Saber” (do Gil), “Análise Descontraída” (Erasmo - Roberto) e a própria faixa-título (também de Erasmo - Roberto) que dão prosseguimento aos temas existencialistas que o Tremendão já havia abordado nos álbuns anteriores. “Continente Perdido (Terra de Montezuma)” (de Mauriti), fala da cultura asteca antes da chegada dos espanhóis. “Baby” (Roberto - Erasmo) questiona o radicalismo feminista, e se mostra, 40 anos depois, muito atual num momento em que vivemos tempos de protestos radicais e ideologias extremistas. “Billy Dinamite” é um country music que faz o ouvinte se transportar para algum filme de faroeste de John Wayne.


A arte gráfica de Banda dos Contentes, que tem capa dupla, é uma atração à parte. A parte interna do álbum traz uma bela ilustração de Benício, mostrando vários Erasmos linchando um Erasmo encurralado e apavorado. Uma obra gráfica que também é bem atual, em tempos em que qualquer opinião diferente, é capaz de gerar linchamento nas ruas ou nas redes sociais.

Em 2013, Banda dos Contentes foi incluído na série Três Tons, da Universal Music. A caixa Três Tons de Erasmo Carlos, trouxe três CD’s Carlos, Erasmo…, Sonhos e Memórias – 1942-1972Banda dos Contentes, todos remasterizados e com as artes gráficas originais.


"Filho Único"


"Paralelas"


"Queremos Saber"


"Baby"


"Continente Perdido (Terra de Montezuma)"

sábado, 13 de agosto de 2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Mistério da piscina verde desvendado


Metallica e os 25 anos do "Black Album"



Odiado por uns, amado por outros, há exatos 25 anos, o quinto e homônimo álbum do Metallica chegava às lojas de todo o mundo. Se os álbuns anteriores do grupo como “Master of Puppets” estão entre os mais queridos pelos fãs mais antigos e responsáveis pela renovação do metal nos anos 1980, “Metallica”, o álbum, elevou a banda californiana, de respeitado nome do circuito do underground do metal para um dos gigantes do rock mundial. Se o Metallica tem uma grande popularidade planetária hoje, parte desse mérito se deve ao “Black Album”, como também é chamado o quinto trabalho do grupo.



No “Black Album”, o Metallica abandonou as músicas longas e cheias de divisões, e buscou fazer faixas mais curtas, diretas e enxutas, limpando os “excessos”sem, no entanto, abrir mão do peso sonoro. Acredito que aí está um dos segredos do sucesso do álbum que chegou à marca de mais de 20 milhões de cópias vendidas, ajudando com isso o heavy metal a frequentar as FM’s e a MTV. Me lembro que fiquei surpreso ao ouvir “The Unforgiven” numa FM daqui de Salvador. Outras faixas como “Enter Sandman” e "Nothing Else Matters" se tornaram megahits. O álbum rendeu ao Metallica prêmios Grammy, MTV e American Music Awards. Por causa do sucesso desse álbum, o Metallica fez uma gigantesca turnê com mais de 300 shows em três anos. 


“Enter Sandman”




“The Unforgiven” 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Na onda da "Martamania"


Os 40 anos do álbum de estreia de Guilherme Arantes


Em 1975, a banda paulista de rock progressivo Moto Perpétuo, já tinha um álbum no currículo, mas nenhuma fama. O então tecladista e vocalista, Guilherme Arantes, acreditava que se o grupo quisesse alcançar um público maior e almejar voos mais altos, seria necessário se apresentar em programas populares da TV como o de Sílvio Santos e o de Chacrinha. Os outros integrantes da banda discordavam, achavam que era “se vender”, abrir mão da qualidade, descer de nível.

  
O tecladista então deixa a banda e decidiu seguir em carreira solo. Logo conseguiu um contrato com a gravadora Som Livre e lançou o compacto (single) com a canção “Meu Mundo E Nada Mais”, no começo de 1976. A canção foi incluída na trilha sonora da primeira versão da novela “Anjo Mau”, da Globo, e isso catapultou Guilherme Arantes para o estrelato aos 23 anos. Puxado pelo sucesso da música, ainda em 1976, o seu primeiro álbum e que leva o seu nome, foi lançado. 

“Guilherme Arantes”, o álbum, é um dos melhores álbuns de estreia de um artista de pop rock brasileiro dos anos 1970. O disco une o virtuosismo do rock progressivo com o apelo acessível da música pop. E o que impressiona em todo álbum é a maturidade de Guilherme Arantes, seja como compositor ou como músico. Boa parte das letras, ele compôs quando tinha apenas 17 anos. Os arranjos de piano, sintetizadores, guitarra, parte dos metais e a base de cordas foram escritos por ele. Tudo foi gravado e mixado em apenas quatro dias.

Estourada como single, “Meu Mundo E Nada Mais” foi incluída no álbum, ajudou nas vendas do disco. No entanto, outras faixas do álbum estouraram como “A Cidade E A Neblina”, “Descer A Serra (Sorocabana)”, “Nave Errante” e a belíssima “Cuide-se Bem”. Pilotando piano ou sintetizador e a capacidade de fazer boas canções pop, Guilherme logo foi chamado de “Elton John brasileiro”. O disco já revelava ali, a vocação de Guilherme Arantes como hitmaker, o que se comprovaria nos álbuns seguintes e na enorme lista de hits que emplacou. 



"Meu Mundo E Nada Mais"



“A Cidade E A Neblina”



“Cuide-se Bem”



“Descer A Serra (Sorocabana)”


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

terça-feira, 9 de agosto de 2016

sábado, 6 de agosto de 2016

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

terça-feira, 2 de agosto de 2016