quinta-feira, 28 de agosto de 2014

20 anos de "Sobre Todas As Forças"





O reggae aportou em terras brasileiras nos anos 1970 e foi muito bem assimilado. Vários artistas da MPB, do rock e do pop como Gilberto Gil, Paralamas do Sucesso, A Cor do Som, Baby Consuelo e até mesmo Chico Buarque, gravaram músicas inspiradas no ritmo jamaicano. Porém, o reggae brasileiro, até os anos 1990, ainda não tinha revelado um grande astro totalmente seu. As bandas e cantores genuinamente do reggae nacional, ainda estavam relegados ao “gueto” da cena musical brasileira. Os artistas de outros gêneros emplacava um hit reggae, mas um “regueiro” propriamente dito, não conseguia. Irônico não?

A coisa só mudou em 1990, quando em meio à ressaca da “geração 80” do rock brasileiro, a ascensão sertaneja e o modismo da lambada, a banda carioca Cidade Negra lançava o seu primeiro álbum, o “Lute Para Viver”. Pela primeira vez, uma banda de reggae brasileira ganhava popularidade no mainstream nacional, tocando no rádio e na TV. Mas, foi a partir do terceiro disco, o “Sobre Todas As Forças”, de 1994 que o Cidade Negra ganhou uma projeção muito maior, alcançou o estrelato mostrando que o reggae brasileiro não podia mais ficar restrito ao “gueto”.

Em “Sobre Todas As Forças”, o Cidade Negra contava com um novo vocalista, o ex-banda Banda Bel, Toni Garrido. Já tinha visto antes disso, o Toni no comando da Bel, se não me engando, no “Programa Livre”, do Serginho Groisman, no SBT. Fiquei impressionado com o mix de soul, funk e pop da banda tendo um negro nos vocais, coisa que no Brasil na época, pouco se via na TV. Com a saída de Ras Bernardo dos vocais, Toni levou pro Cidade, a levada pop e soul que fazia na Bel. Quem saiu ganhando foi o Cidade que além de ter “azeitado” mais o seu reggae ao agregar algumas doses de pop e soul, ganhou um vocalista carismático com postura de  “sex symbol, atraindo a atenção do público feminino.

Acho “Sobre Todas As Forças” um discaço. Nele, o Cidade conseguiu manter o reggae de raiz, mas ao mesmo tempo sintonizado com o que se fazia de contemporâneo no reggae lá fora, e ainda acrescentar alguns referenciais de soul trazidos por Tony Garrido quando este veio da Banda Bel. O disco trouxe vários hits como  “Onde Você Mora?", "Downtown" (participação de Shabba Ranks), "Downtown", "A Sombra da Maldade" e “Pensamento”. O disco ainda contou a participação especial de Gabriel, O Pensador em “Mucama”. 
Rapidinho, o álbum bateu a casa das 800.000 cópias vendidas, algo jamais imaginado para uma artista de reggae nacional até então.

Com “Sobre Todas As Forças”, o Cidade Negra ajudou a popularizar ainda mais o reggae no Brasil e passou a figurar como um dos principais nomes da música pop brasileira. Por volta de 2000, numa enquete entre os leitores e jornalistas da revista “Bizz” para um balanço dos melhores da década que findava, “Sobre Todas As Forças” foi considerado o melhor disco do reggae brasileiro dos anos 1990. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário